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Hérnia de Disco Lombar

30 de julho de 2017 by Admin
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A dor lombar baixa é uma queixa extremamente prevalente, sendo uma das principais causas de atendimento médico. Embora frequente, apenas cerca de 1% dos pacientes com lombalgia apresentarão sintomas radiculares relacionados a compressão ou irritação por fragmentos discais.

O disco intervertebral possui 2 componentes: um núcleo pulposo e um ânulo fibroso. Em condições normais o núcleo pulposo está contido no interior do ânulo fibroso. A herniação de conteúdo do núcleo pulposo é responsável pela irritação e/ou compressão da raiz nervosa e leva a uma síndrome dolorosa conhecida como ciática. O ligamento longitudinal posterior é mais resistente na linha média assim, a maioria das hérnias possuem projeção pósterolateral por ruptura do anel neste nível.

Apresentação Clínica

A apresentação clássica é de dor lombar com irradiação para o membro inferior, sendo a distribuição da dor dependente da raiz nervosa acometida. Geralmente pacientes descrevem alívio do quadro álgico com a mudança de posição. A dor tende a melhorar também na posição supina, assim como caminhadas curtas. Há agravamento da dor com exercícios prolongados e com a manobra de valsalva. Alterações de reflexo, sensibilidade e motricidade estão relacionados com a raiz acometida.

Sinal da perna reta elevada dolorosa (a menos de 60 graus) quase sempre está presente. Síndrome da cauda equina ocorre em cerca de 1 a 2% das hérnias lombares. Esta é caracterizada por alterações de esfíncteres (sendo a retenção urinária o achado mais consistente – 90% de sensibilidade), anestesia em sela, déficit motor (geralmente acometendo mais de uma raíz), dor ciática/lombar, alterações de reflexo de Aquiles e impotência sexual.

A protusão discal L3-4 geralmente acomete a raíz de L4. Nestes casos a dor possui distribuição da coxa anterior em direção ao maléolo medial, o reflexo patelar pode estar alterado e pode ocorrer fraqueza no quadríceps femoral.

A protusão discal L4-5 geralmente acomete a raiz de L5 e nestes casos a distribuição da dor ocorre na região posterior do membro inferior. A sensibilidade em dorso do pé pode estar alterada, assim como diminuição dos reflexos isquio-tibiais mediais. Pode haver paresia à dorsoflexão do pé (tibial anterior).

Já a protusão discal L5-S1 (mais comum) tende a acometer a raiz de S1 e nestes casos a distribuição da dor é em região posterior até tornozelo. A sensibilidade pode estar alterada em maléolo e pé lateral. Pode ocorrer diminuição do reflexo de Aquiles e paresia a flexão plantar (gastrocnêmio). O diagnóstico é confirmado pela ressonância magnética porém a tomografia computadorizada e o raio X podem ser realizados de modo complementar.

Tratamento

A cirurgia está indicada nas seguintes situações:
– Síndrome da Cauda Equina;
– Déficit neurológico progressivo;
– Refratariedade ao tratamento conservador por período de 6 a 10 semanas, desde que haja correspondência entre manifestações clínicas e achados da ressonância magnética.

Considerações sobre o tratamento conservador

Realizado com medicação analgésica (esteróides e anti-inflamatório não esteróides), relaxantes musculares e repouso durante período crítico da dor (7 -14 dias). Passado a fase de dor intensa, indica-se realização de fisioterapia e retorno gradual às atividades do trabalho. O bloqueio epidural com esteróides pode ser considerado na vigência de lombociatalgia aguda secundário a hérnia discal.

Cirurgia

A técnica padrão constitui a laminotomia e a microdiscectomia, sendo controversa a extensão da discectomia. Alta hospitalar é precoce (24 horas após cirurgia) e retorno às atividades de trabalho geralmente entre 4-6 semanas, a depender da ocupação. Cerca de 75% dos pacientes submetidos a microdiscectomia apresentarão melhora da lombociatalgia e serão considerados curados.

 

Referências Bibliográficas :

1- Greenberg, Mark. Handbook of Neurosurgery. 7th ed. Thieme; 2010.

2- Medscape Reference Drugs ,Conditions & Procedures (internet). December 2011 [cited 2012 januaryl 17] Available from:http://emedicine.medscape.com/

Dr. José Lopes

Área de atuação em Doenças Cérebrovascular, Cirurgia Base Crânio com ênfase técnicas minimamente invasivas (Endoscopia Base de crânio e ventricular ) e Tratamento das doenças da Coluna Vertebral.

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