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Espondilolistese Lombar

13 de setembro de 2017 by Admin

Termo que designa o deslocamento anterior de um corpo vertebral  sobre outro. Ocorre mais comumente na junção lombossacra (L5-S1), mas também pode ocorrer em níveis mais elevados.

É classificada de acordo com a etiologia em 5 tipos:

1- Displásica (congênita): Representada por um defeito no sacro superior ou no arco de L5. Está associada a alta taxa de espinha bífida oculta e com acometimento de raiz nervosa.

2- Ístmica: Caracterizada por defeito na parte interarticular adquirido ou congênito (melhor evidenciado na incidência oblíqua do RX da coluna lombossacra). Pode ser de três subtipos:

– Lítico, onde há fratura de fadiga na parte interarticular;

– Parte interarticular alongada, provavelmente devido a microfraturas relacionadas a movimentos de repetição (principalmente hiperflexão e rotação) seguidas de cicatrização;

– Fratura aguda da parte interarticular. Ocorre geralmente no ínicio da vida sendo mais comum no segmento L5-S1. Tem frequência estimada em 5% com base em estudos de autópsia.

3- Degenerativa: Condição adquirida que acomete indíviduos de idade mais avançada devido a instabilidade segmentar crônica. Com a doença degenerativa discal, há uma maior sobrecarga nas facetas articulares, o que ocasiona hipertrofia,  desgaste crônico  e incompetência da mesma; propiciando assim deslizamento gradual de uma vértebra sobre outra (geralmente L4-5). Acredita-se que até 5,8% dos homens e 9,1% são portadores de espondilolistese degenerativa.

4-Traumática.

5- Patológica devido a doença local ou generalizada.

 

Apresentação Clínica

Depende basicamente da causa e idade do paciente. Nos primeiros anos de vida apresenta-se mais comumente com lombalgia com irradiação para região glútea e região posterior da coxa. Em adultos jovens há restrição à movimentação da coluna, limitação da flexão dos quadris com joelhos estendidos, hiperlordose lombar e toracolombar, hipercifose em junção lombossacra e dificuldade de marcha. Em indivíduos mais velhos com espondilolistese degenerativa ocorre lombalgia, radiculopatia, claudicação neurogênica ou combinação destes.

Classificação de acordo com a quantidade de subluxação vertebral no plano sagital:

Grau I: Menos de 25% do diâmetro vertebral;

Grau II: 25-50%;

Grau III:  50-75%;

Grau IV: 75-100%.

 

Exames de imagem

– Radiografia: Estudo dinâmico com flexão e extensão é util para avaliar instablidade segmentar. Incidência oblíqua para avaliação de defeito na parte interarticular.

– Tomografia: Exame útil para avaliação do diâmetro do canal vertebral, hipertrofia facetária, estenose foraminal.

– Ressonância magnética: Importante na avaliação de partes moles, protusões discais e alterações degenerativas do corpo vertebral.

 

Tratamento

Indicações para o tratamento conservador

Pacientes mais jovens são geralmente tratados de modo conservador (que inclui fisioterapia, medicações analgésicas, imobilização e mudanças de atividades). Na ausência de alto grau de espondilolisteses (<30%), sintomas mínimos, ausência de déficits neurológicos e ausência de progressão da listese geralmente o tratamento é conservador. Espondilolistese degenerativa grau  1 ou 2, com lombalgia e/ou radiculopatia, sem déficits associados.

 

Indicações para tratamento cirúrgico

– Espondilolistese ístmica: Refratariedade ao tratamento conservador, déficit neurológico, progressão da listese e alto grau de espondilolistese;

– Espondilolistese degenerativa:  Radiculopatia refratária a tratamento conservador, mielopatia, claudicação neurogênica, grau 3 e 4, evidência de instabilidade (estudo dinâmico), progressão da listese, dor incapacitante e falha no tratamento conservador (para pacientes com sintomas mínimos como os casos de lombalgia mecânica);

– Espondilolistese traumática: Indicado cirurgia;

– Patológica: Individualizar os casos.

Os objetivos do tratamento cirúrgico são: estabilização da coluna (geralmente obtida por meio de artrodese) e descompressão de estruturas nervosas. Alguns autores consideram, também, a redução da listese a qual está associada a lesão de raiz nervosa em 5-30% dos casos.

 

Referências Bibliográficas :

1- Greenberg, Mark. Handbook of Neurosurgery. 7th ed. Thieme; 2010.

2- Medscape Reference Drugs ,Conditions & Procedures (internet). December 2011 [cited 2012 januaryl 17] Available from:http://emedicine.medscape.com/

Dr. José Lopes

Área de atuação em Doenças Cérebrovascular, Cirurgia Base Crânio com ênfase técnicas minimamente invasivas (Endoscopia Base de crânio e ventricular ) e Tratamento das doenças da Coluna Vertebral.

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