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Mielopatia Espondilótica Cervical

13 de setembro de 2017 by Admin

Introdução

Espondilose cervical é a principal causa de mielopatia em pacientes com idade acima de 55 anos. Esta patologia é o resultado da redução do espaço efetivo do canal espinhal. A história natural da doença é piora progressiva dos sintomas com comprometimento do estado funcional. O padrão mais comum de evolução é o de progressão gradual dos sintomas seguidos de períodos estáveis, ou seja, de forma escalonada.

Fisiopatologia

A patogenia é multifatorial e envolve aspectos mecânicos e vasculares. Compressão medular por barras osteofitárias e hipertrofia ligamentar, isquemia devido compressão de estruturas vasculares e traumatismo medular local repetido por movimentos normais (na presença de barras osteofitárias e/ou discos abaulados) são aspectos implicados na fisiopatologia da doença. A estenose congênita do canal cervical pode ser um fator colaborador para o desenvolvimento da doença em muitos pacientes.

 

Quadro  Clínico

Cervicalgia constitui o sintoma mais precoce e comum. Radiculopatia e mielopatia tendem ocorrer em fases mais avançadas. Achados comuns incluem fraqueza das mãos, diminuição da destreza manual, instabilidade de marcha (devido a paresia principalmente proximal dos membros inferiores), parestesias, hipoestesia em luvas e perda da sensibilidade vibratória nos membros inferiores. Alterações de esfíncteres podem estar presentes em fases mais avançadas da doença. Sinais de liberação piramidal podem ser encontrados, assim como sinal de Lhermitte (sensação de choque elétrico em tronco e membros à hiperextensão da cabeça) e sinal de Spurling (em casos de radiculopatia).

 

Uma das classificações mais utilizadas é a Escala de Nurick:

Grau 0 – Nenhuma evidência de acometimento medular;

Grau 1- Sinais de comprometimento medular leve, com marcha normal;

Grau 2 – Comprometimento da marcha, mas com capacidade de trabalhar;

Grau 3 – Comprometimento da marcha, incapacidade de trabalhar, anda sem apoio;

Grau 4 – Comprometimento da marcha, anda com auxílio;

Grau 5 – Restrito ao leito ou em cadeira de rodas.

 

Diagnóstico

O diâmetro normal do canal vertebral é de 17 mm. Qualquer processo que estreite o diâmetro do canal vertebral para menos de 13 mm pode resultar em compressão da medula.

O exame de escolha para o diagnóstico é a ressonância magnética. O sinal aumentado em T2 (sugerindo mielomalácia) é característico e quando presente confere pior prognóstico no pós-operatório.

 

Tratamento

Para pacientes com evidências de estreitamento da coluna cervical e com sintomas leves (cervicalgia e rigidez de nuca), sem evidências de mielopatia, o tratamento conservador com anti-inflamatórios e imobilização cervical intermitente pode ser realizado. Já para pacientes com sinais de mielopatia, radiculopatia refratária e déficit neurológico progressivo indica-se o tratamento cirúrgico.

A via anterior é a preferencial em casos de compressão principalmente anterior, até dois níveis, em casos de retificaçao ou cifotização da coluna. As opções são discectomia, corpectomia com ou sem fusão. Já a via posterior é a de escolha em casos onde há 3 ou mais níveis acometidos (com preservação da lordose cervical), compressão principalmente posterior, maior instabilidade. As opções para este tipo de abordagem são laminectomia com ou sem fusão e laminoplastia. O risco de cifotização em caso de laminectomia isolada é maior em pacientes mais jovens e com múltiplos níveis operados.

 

Referências Bibliográficas:

1- Greenberg, Mark. Handbook of Neurosurgery. 7th ed. Thieme; 2010.

2- Marc Sindou. Practical handbook of neurosurgery from leading neurosurgeons. 1th ed. Springer; 2009.

3- Medscape Reference Drugs, Conditions & Procedures (internet). December 2011 [cited 2012 januaryl 17] Available from:http://emedicine.medscape.com/.

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Dr. José Lopes

Área de atuação em Doenças Cérebrovascular, Cirurgia Base Crânio com ênfase técnicas minimamente invasivas (Endoscopia Base de crânio e ventricular ) e Tratamento das doenças da Coluna Vertebral.

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